Mostrando postagens com marcador Inconsciente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Inconsciente. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O sintoma na teoria Freudiana


Freud defendia que os sintomas neuróticos podiam ser decifrados, na medida em que tinham um sentido, da mesma forma que os atos falhos e os sonhos. O sintoma no sentido analítico, ou em sua significação clássica, quer dizer aquilo que é analisável na neurose. A possibilidade de interpretação advém do sintoma como portador de uma mensagem velada. Freud desenvolve o conceito de sintoma enquanto uma formação do inconsciente, nos textos “A interpretação dos sonhos” (1900-1901), “A psicopatologia da vida cotidiana” (1901) e “Os chistes e sua relação com o inconsciente” (1905).

Em “A interpretação dos sonhos”, ele substitui a proposição neurofisiológica para explicar os processos mentais pela psicológica e introduz uma primeira formulação do conceito de inconsciente. Em seus estudos sobre a histeria ele percebe a existência de diferenças entre a paralisia motora e a paralisia histérica, e chega à conclusão de que a idéia é que paralisa o indivíduo e não um feixe de neurônios. A causa da paralisia histérica não podia ser explicada em termos da consciência ou em termos orgânicos, mas pela existência do inconsciente. Desta forma, Freud (1900-1901, p. 633) afirma que apesar do sonho não ser patológico, os processos que atuam em sua formação são análogos aos que atuam na formação dos sintomas histéricos, ou seja, ambos denotam uma formação do inconsciente.

Freud assinala que durante a vigília, o consciente domina os processos de funcionamento do aparelho psíquico através do princípio de realidade, impedindo que conteúdos inconscientes se manifestem. Contudo, como o representante-representação não pode se manifestar diretamente no consciente – devido à incompatibilidade com o sistema consciente– ele se manifesta de forma substitutiva, modificada, sofrendo condensações e deslocamentos, através de sonhos, lapsos e sintomas.

Os sintomas são, portanto, derivados do conteúdo recalcado que tiveram acesso à consciência, são manifestações do inconsciente que revelam a verdade encoberta pelo recalque. O recalque é uma repressão tão forte da sexualidade que cria obstáculos para que o sujeito a exerça livremente: “as excitações continuam a ser produzidas como antes, mas são impedidas por um obstáculo psíquico de atingir seu alvo e empurrada para muitos outros caminhos, até que consigam se expressar como sintomas” (Freud, 1905, p. 224) .

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Um curto circuito na fantasia


Acontece que na atualidade o sujeito do inconsciente, sujeito dividido, acaba submergindo quando os sujeitos se lançam no uso excessivo de drogas. Se antigamente o uso de drogas era marcado pelo simbolismo, pela busca de sentido, como o uso de drogas para buscar a espiritualidade, ou como símbolo da contracultura e da revolta, na atualidade há uma perda de sentido, há um vazio, é a era da toxicomania banalizada (Naparstek. F., 2011. Pharmacon 12).

O uso desmedido do álcool e de outras drogas é um ato de ruptura com o Outro (sexo) para fazer um com a droga; é um curto circuito na fantasia, uma ruptura com o gozo sexual, fálico, em prol de um casamento com a droga. Para que o sujeito não tenha que lidar com sua própria falta, com sua divisão, ele coloca ali a droga, como um tampão.

Essa satisfação autoerótica que o sujeito obtém com a droga, causa a ilusão de que se está completo, de que não precisa mais de nada. Essa ilusão de completude acaba afastando os toxicômanos e alcoolistas de suas famílias, trabalho, amigos. É difícil para aqueles que estão em torno dos toxicômanos ou alcoolistas perceberem quando o uso se torna um abuso e quando estes precisam de tratamento, entender que o paciente passou de consumidor a consumido pelo objeto droga, produto da sociedade de consumo.

Não se trata de um trabalho fácil nem rápido quando o objetivo é tratar toxicômanos e alcoolistas. Não é simplesmente comunicar a ele que tem que parar de usar em função de sua saúde e de suas perdas. Mas a partir da redução, da redução de danos, ajudá-lo a ir se re-apropriando das dúvidas, das perdas, de sua própria divisão que é o que o caracteriza como sujeito do inconsciente.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ainda sobre a ciência e a psicanálise


Da última vez no blog escrevi sobre como a psicanálise reescreve o cogito cartesiano “Penso, logo existo” ou “Penso, logo sou” para o “Sou onde não penso”, “Penso onde não sou”. É uma forma de afirmar o inconsciente e contrapô-lo a consciência.
 
O Inconsciente é o que revela o sujeito como dividido, como nos elucidou Freud, através dos chistes, atos falhos, sonhos. Por isso a psicanálise prima pelo método da atenção flutuante, pois o analista deve estar atento para os equívocos do paciente, onde ele vacila e emerge as formações do inconsciente, ali onde ele fala uma palavra querendo dizer outra, ou um não, que significa um sim. Lembro que fui atender um paciente na semana passada na emergência de um hospital, ele estava há 8 noites sem dormir, e me disse que não era por causa da ansiedade pré-cirurgia. É assim: no inconsciente um não pode significar um sim, não há uma ordem no inconsciente. Ele é atemporal, fora de ordem e se revela por meio da consciência de forma velada, afinal não íamos suportar tudo que o inconsciente tem a nós dizer.

A fantasia que temos, ou melhor, que construímos, são, assim, modos que esse sujeito dividido, sujeito do inconsciente, tem para lidar o mundo. A fantasia nos permite existir no mundo! Sem ela só há o real, e também não estamos preparados para lidar com ele! Só com análise, muita análise! A fantasia tem sempre relação com o objeto. O objeto em suas cinco formas, como nos disse Lacan no Seminário 10, oral, anal, falo, olhar e voz. Para que se caminhe, em análise, para o atravessamento da fantasia é preciso que se inicie pelo sintoma, ou seja, daquilo que o sujeito se queixa, muitas vezes o que aparece no corpo ou fala por ele, por exemplo dores de cabeças intermináveis, alergias intratáveis, prisões de ventre, mal-estar, insônia etc. A lista é interminável, mas os resultados se parecem: quando acaba o sintoma vem a angústia. Angústia porque o sujeito vai se aproximando mais de sua divisão, de sua relação com o objeto.
 
Para cada caso, então, um tratamento singular, orientado pela psicanálise, orientado pela estrutura clínica! Principalmente para quem está inciando, é preciso ter cautela, não pensar que já sabe do diagnóstico de antemão. As entrevistas preliminares servem para isso, orientar o diagnóstico e o tratamento, por isso a importância dos estudos e supervisões! A psicanálise é teórico-clínica e nos exige isso, a cada passo uma parcela a mais de investimento.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Notas sobre a ciência e a psicanálise

Lendo um artigo intitulado “Respostas aos estudantes de filosofia sobre o objeto da psicanálise” de Lacan (1966), me fez lembrar o quanto pode se confundir a psicanálise com um misticismo ou obscurantismo quando se interroga sobre a presença da consciência na psicanálise. No filme “Um método perigoso” que traz cenas muito interessantes do diálogo entre Freud e Jung e sua posterior cisão, mostra como Freud adverte Jung do perigo da psicanálise ser confundida com o misticismo, por isso a importância e o rigor de nos atermos aos princípios básicos da psicanálise, que no início Freud denominava como a base sexual, ou diríamos da castração, presente na formação da estrutura neurótica.

Lacan relê a afirmação filosófica “Penso, logo sou”, de Descartes, ao afirmar que o objeto da psicanálise não é o homem, mas o que lhe falta, ou seja, a falta de um objeto, que é o que caracteriza o sujeito como dividido. O sujeito é onde ele não pensa! O que denuncia a dimensão do Inconsciente.

“Ao ser considerado somente no tempo, este sujeito do “eu penso” revela o que ele é: o ser de uma queda”.

O sujeito da psicanálise é o sujeito do Inconsciente.

Diz Lacan que ainda devemos nos atentar para o perigo da redução do sujeito ao ego, o que ocorre com as ditas psicologia, “este acessório sem uso, chamado ego, que só serviu de insígnia à psicologia desde que ela se quis um pouco mais objetiva...”. A verdadeira natureza do ego em Freud se refere a identificação imaginária.

Não é a sua consciência que o sujeito está condenado, mas a seu corpo, que resiste de muitas maneiras a realizar a divisão do sujeito.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

XXI Jornadas Clínicas - EBP- Rio e ICP-RJ



Convidada internacional: Silvia Salman
AE membro da EOL-AMP


A escuta freudiana revelou a importância psíquica da diferença sexual anatômica. Não existem dois sexos complementares, pois no inconsciente só há um sexo: o masculino. O feminino não encontra uma representação significante e a diferença morfológica não é suficiente para localizar o Outro sexo, de tal modo que para os psicanalistas a questão sobre o sexo não é a questão do gênero. O desejo da mulher está em jogo na relação com o parceiro sexual, seja homem ou mulher. A surpreendente expressão de Lacan “A mulher não existe” denota o impossível da proporção entre os sexos. O feminino é não-todo regulado pela lógica da castração edipiana que permite a assunção do próprio sexo. Quais são as manifestações desse “não-todo” hoje?
Há uma dimensão do feminino que vem se tornando pregnante na nossa cultura e que é preciso levar em conta na direção dos tratamentos. Isso diz respeito, por um lado, a uma tendência à infinitização do gozo em alguns sintomas contemporâneos que refletem uma patologia da ordem da adição. Por outro lado, há um aspecto do feminino na atualidade que se verifica na criatividade das soluções singulares, que não decorrem de uma norma para todos, para lidar com o real.
As XXI Jornadas clínicas da EBP-Rio, em parceria com o ICP-RJ, apresentarão as contribuições dos psicanalistas de nossa comunidade em relação aos eixos temáticos propostos.
Os autores deverão indicar em qual dos eixos temáticos seu trabalho se insere. A data limite para o seu encaminhamento é 31 de agosto. Os trabalhos deverão ser enviados online pelo site http://www.ebprio.com/boletins/outubro/envio_trabalhos.asp. Cada trabalho deve conter no máximo 4.000 caracteres (com espaços).
Local
Centro de Convenções Bolsa do Rio
Praça XV, N. 20, Centro, Rio de Janeiro
Coordenação Geral
Angela C. Bernardes e Rodrigo Lyra Carvalho
Comissão Científica
Cristina Duba (Coordenadora) | Ana Lucia Lutterbach Holck | Angélica Bastos
Glória Maron | Ruth Cohen
Comissão Organizadora
Adriana Lipiani | Angélica Tironi (coordenação de infraestrutura) | Lydia Vasconcellos | Magda Delecave | Monica Rolo | Roberta Assunção | Rodrigo Fraga | Ronaldo Fabião (coordenação de tesouraria) | Sandra Landim | Sarita Gelbert (coordenação de comunicação) | Vanda Assumpção Almeida (coordenação de comunicação) | Vânia Gomes (coordenação de infraestrutura