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terça-feira, 3 de setembro de 2013

De um Outro a outro

Todos os dias escutamos das pessoas ao nosso redor, nos telejornais, que os jovens estão sem referências, que as instituições, como a política, educação, igreja, estão falidas etc. Como os analistas são cidadãos e profissionais são chamados a dar uma resposta diante desse quadro na atualidade.
 
O que a psicanálise tem a dizer?
 
Encontramos no Seminário, livro 16 de Lacan referenciais importantes. Ali ele fala da questão da queda do ideal paterno em nossa civilização. Para ele se trata da civilização (mais amplo) e não da cultura, pois se a civilização era regida pelo pai simbólico que regulava o gozo na atualidade não é mais o Outro, e sim os outros que fazem essa função. A toxicomania nos traz um exemplo de como diante da queda do ideal paterno os sujeitos, desbussolados, recorrem a outros para lhe dar algum referencial, nesse caso a nomeação "sou toxicômano" dá um lugar no mundo, um pertencimento a um grupo, ainda que a compulsão pelo drogar-se acaba levando  sujeito a graves danos no imaginário - emagrecimento, péssimas condições de higiene, vulnerável a agressões físicas e sexuais e inúmeras outras.
 
O que pode a psicanálise aí?
 
Oferecer escuta a esse sujeitos, não na posição de julgá-lo, ou interna-lo de maneira forçada, compulsoriamente, e sim se oferecer a ajuda-lo, em sua demanda, e a construiu um outro lugar no mundo a partir da relação transferencial,  e não mais da droga. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um novo amor pelo pai.


Éric Laurent, no artigo “Um novo amor pelo pai”, publicado na Opção Lacaniana n°46  situa o avesso da pluralização do Nome-do-Pai: o pai avaliado do ponto de vista de sua autoridade. “Acabou-se o pai da autoridade, da tradição, do patriarcado, da Lei. É chegado o tempo da paternidade contratual, negociada, responsável” (p.20).

Segundo Laurent, Lacan desconstruiu o “pai” freudiano segundo as dimensões real, simbólica e imaginária. O primeiro Nome-do-Pai em Freud foi o pai do totem, apresentado no texto “Totem e tabu”. Nesse texto Freud fala de um pai simbólico, pai de amor, e de um pai imaginário, do ódio e da reprovação.

Já Lacan, após propor a pluralização dos nomes do pai em sua obra, a partir do Seminário A angústia, se propõe a definir o Nome-do-pai a partir de uma função, ou seja, há versões do pai, uma por uma. Assim “não se trata mais de partir do nome, mas sim do objeto a” (p.23). Essa péreversion, versões do pai, ou perversões do pai, tratam tanto de que há uma versão do pai para cada sujeito em particular, como uma perversão do pai de se ligar aos objetos a de uma mulher. Um pai-versamente orientado é aquele que faz da mulher seu objeto a causa de desejo. Enquanto a mulher se ocupa de outros objetos a: os filho. Na medida em que o pai se liga aos objetos a de uma mulher é que “podemos falar de um entrecruzamento da pai-versão com a perversão materna” (p.23) e assim surge o chamado “cuidado paterno”, o cuidado que o pai tem com esse objeto a da mulher.