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segunda-feira, 15 de julho de 2013

"Sou toxicômano" - uma nomeação

Por que tantos usuários de drogas ficam fixados na nomeação "sou toxicômano", "sou alcóolatra", "sou crackeiro"?
A resposta a essa pergunta nos ajuda a pensar sobre o que a sociedade pode fazer em relação a esses sujeitos.
Se o pensamos como criminosos, mau-caráter, a solução é policialesca, como muito vemos acontecer em diversas cidades pelo Brasil. Contudo, se pensamos que além de um problema social falamos de um problema de saúde pública, a solução se coloca pela via do tratamento.
E aqui não falamos de uma internação compulsória, que passa ao largo do desejo do sujeito de se tratar. O importante é compreender a função que a droga ocupa na economia de gozo para cada sujeito em particular.
Para a psicanálise  a nomeação "sou toxicômano" é uma resposta a deflação do Nome-do-Pai, ou seja, sua falta de eficácia como significante que nomeie o gozo, que retire o sujeito da posição de objeto de gozo da mãe. Assim, o sujeito fica a procura de algo que o nomeie e encontra na adicção uma identidade, um pertencimento  um grupo social.
"Sou toxicômano" é uma identificação bruta a um significante, "uma resposta que torna o outro consistente de novo e que pretende uma recuperação de gozo", sendo que essa recuperação de gozo ocorre por fora da medida fálica, pois a toxicomania acaba levando o sujeito a um gozo auto-erótico, fora do sentido e fora da fala (Sillitti, D. Sujeto, goce y modernidade: fundamentos de la clínica. Atuel - TyA, 1993, p. 56).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um novo amor pelo pai.


Éric Laurent, no artigo “Um novo amor pelo pai”, publicado na Opção Lacaniana n°46  situa o avesso da pluralização do Nome-do-Pai: o pai avaliado do ponto de vista de sua autoridade. “Acabou-se o pai da autoridade, da tradição, do patriarcado, da Lei. É chegado o tempo da paternidade contratual, negociada, responsável” (p.20).

Segundo Laurent, Lacan desconstruiu o “pai” freudiano segundo as dimensões real, simbólica e imaginária. O primeiro Nome-do-Pai em Freud foi o pai do totem, apresentado no texto “Totem e tabu”. Nesse texto Freud fala de um pai simbólico, pai de amor, e de um pai imaginário, do ódio e da reprovação.

Já Lacan, após propor a pluralização dos nomes do pai em sua obra, a partir do Seminário A angústia, se propõe a definir o Nome-do-pai a partir de uma função, ou seja, há versões do pai, uma por uma. Assim “não se trata mais de partir do nome, mas sim do objeto a” (p.23). Essa péreversion, versões do pai, ou perversões do pai, tratam tanto de que há uma versão do pai para cada sujeito em particular, como uma perversão do pai de se ligar aos objetos a de uma mulher. Um pai-versamente orientado é aquele que faz da mulher seu objeto a causa de desejo. Enquanto a mulher se ocupa de outros objetos a: os filho. Na medida em que o pai se liga aos objetos a de uma mulher é que “podemos falar de um entrecruzamento da pai-versão com a perversão materna” (p.23) e assim surge o chamado “cuidado paterno”, o cuidado que o pai tem com esse objeto a da mulher.