terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Complexo de Édipo" por Salvador Dalí


Nieves Sorias, psicanalista do Campo Freudiano, em seu livro "Inhibición, Síntoma y Angustia"  faz uma análise precisa do quadro "Complexo de Édipo" de Salvador Dalí.

Encontramos nesse quadro uma forma imprecisa, difícil de definir, amorfa, que está esburacada, com algumas fissuras e manchas. Nieves Sorias assinala que essa figura evidencia a estrutura neurótica.

Por outro lado no quadro aparece um objeto, um cetro com plumas, que segundo Nieves Sorias, é um emblema da queda do pai, do pai morto. No final da pintura de Dalí encontramos Édipo após matar o pai se dirigindo ao horizonte.

Ainda abaixo da estrutura que se encontra no centro do quadro encontramos um pequeno objeto caído, também difícil de definir por ser amorfo, que deixa uma sombra sobre a estrutura. Há também uma figura humana semi-esquelética, indefinida a respeito do sexo, que segundo Nieves Sorias encarna por excelência o que é o sujeito neurótico em sua indefinição, sem rosto, e no lugar da cabeça está um vazio, onde podemos localizar a dimensão da pergunta, o que Lacan localiza em seu grafo do desejo como a pergunta sobre o desejo do Outro: "O que o Outro que de mim?".

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O pai mítico de "Totem e Tabu"

 



Freud escreveu o texto "Totem e Tabu" em 1912-1913 para falar do pai mítico, o pai da horda primeva. Sabemos que a função paterna é fundamental para a constituição da neurose, e sua não operatividade para a constituição de uma estrutura psicótica.

Freud retoma Charles Darwin, o qual apresentou uma hipótese acerca do estado dos homens primitivos, para desenvolver sua teoria do pai primordial. Segundo Darwin, em um período remoto, os homens viviam em grupos ou hordas, onde o macho mais velho e forte dominava os outros e impedia a promiscuidade sexual (Darwin apud Freud, ibidem, p. 131).

Com base nisso Freud descreve o tipo mais primitivo de uma organização social: a horda primeva. O mito do pai totêmico expressa a violência deste pai da horda primeva e seus ciúmes, ele possuía todas as mulheres e as proibia aos demais membros da tribo. Para tal, expulsava os filhos quando chegavam à idade adulta para que não fossem uma ameaça ao seu domínio.
Freud entende que, em algum momento, os filhos expulsos da tribo se reúnem e retornam à horda para matar e devorar o pai. Para terem acesso ao gozo interditado pelo pai, os filhos assassinam esse pai terrorífico que desencadeava angústia. Ao matá-lo, os irmãos colocam fim à horda patriarcal, mas ao devorá-lo se identificam com o pai primitivo com o intuito de adquirir sua força. No banquete totêmico eles repetiamm e comemoravam em grupo esse “ato memorável e criminoso, que foi o começo de tantas coisas: da organização social, das restrições morais, da religião” (ibidem, p. 145).

Desse modo, o sentimento de culpa que poderia advir desse ato é aliviado porque todos do clã participam da refeição. Porém a comunidade de irmãos não teve sucesso na organização da sociedade, na medida em que são tomados por um grande sentimento de culpa diante da irrupção, sob a forma de remorso, do sentimento de afeição recalcado, da ambivalência amor-ódio em relação ao pai. Ao colocarem o ódio em prática através do assassinato do pai, o amor que estava recalcado surgiu sob a forma de remorso. Esse sentimento de culpa fez com que o pai se tornasse mais forte do que quando era vivo. Como tentativa de solução ao sentimento de culpa, os filhos instituem novas leis, entre elas a proibição do ato criminoso através da proibição da morte do totem confirmado como substituto do pai: “criaram assim, do sentimento de culpa filial, os dois tabus fundamentais do totemismo, que, por essa própria razão, corresponderam inevitavelmente aos dois desejos reprimidos do complexo de Édipo: o homicídio e o incesto” (ibidem, p. 147).

Assim, observamos que a cultura e a organização social não foram alcançadas com a morte do pai, somente com o pacto feito entre os irmãos, baseado na renúncia e na partilha. Desse modo, foi necessário que eles deificassem o pai morto para resgatar os tabus e restrições morais necessárias à vida civilizada, assim como Freud afirma nesse texto monumental e repete tempos depois nos textos “Psicologia de grupo e análise do ego” (1921), “O ego e o id” (1923a) e “Moisés e o monoteísmo” (1939).

Através desse mito, Freud pôde demonstrar como o pai devastador primitivo transforma-se no Pai simbólico que dita os códigos da Lei moral e que funciona como aquele que reforça as exigências do supereu, através do cumprimento dos mandamentos e das regras sociais.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O conceito de Supereu em Freud

Freud empreende uma análise do supereu desde o início de suas investigações sobre o aparelho psíquico, na medida em que procurava compreender a clínica da neurose e o processo do recalque que estava na base da formação sintomática. Podemos encontrar as primeiras referências ao supereu no texto “A interpretação dos sonhos” (1900-1901). Freud apresenta ali o esquema do primeiro aparelho psíquico composto pelos sistemas consciente, pré-consciente e inconsciente. Segundo ele, a entrada dos estímulos acontece pela via da percepção, e o de resposta, ou descarga, pela via motora. O pré-consciente situa-se na extremidade motora e o inconsciente se localiza entre este e os traços mnêmicos. Ao passo que a consciência representa uma dupla superfície sensorial, uma voltada para a percepção e a outra para o pensamento (ibidem, p. 603).
 
 O inconsciente não é descrito como uma mera oposição à vigília ou ao consciente, mas como um sistema primitivo e amplo que engloba o consciente. O inconsciente se separa do consciente por uma tela – o sistema pré-consciente – e alcança a consciência somente após deformação da censura. A censura é definida como uma “instância crítica” que, apesar de se localizar entre os sistemas inconsciente e consciente, permanece mais ao lado deste último, na extremidade motora do aparelho, onde também se encontra o pré-consciente. Trata-se de uma instância crítica porque exerce a função de censor do eu ou da consciência (ibidem, p. 537).

Com o objetivo de demonstrar a existência do supereu, Freud (ibidem, p. 541-542) apresenta a análise de um sonho no qual havia algo mais além da mera realização de desejo: o sonho de um pai que velava o filho morto. O homem se encontrava num quarto ao lado do filho morto e deixara um velho vigiando o corpo do menino. Em algum momento o pai adormece e sonha que o filho está de pé ao seu lado e lhe diz “Pai, não vês que estou queimando?”. Nesse momento o homem desperta e vê que realmente o corpo do filho estava queimando por conta de uma vela que caíra sobre ele enquanto o velho que o vigiava dormira. Esse sonho corrobora a tese de que o sonho é uma realização de desejo – na medida em que no sonho o filho se encontrava vivo –, porém aponta um novo elemento: o sentimento de culpa (ibidem, p. 587). Por isso podemos localizar na análise desse sonho os antecedentes do conceito do supereu, tal como Freud (ibidem) assinala em uma nota de rodapé acrescentada ao texto em 1930: “este seria o local apropriado para uma referência ao ‘superego’, uma das descobertas posteriores da psicanálise – Uma classe de sonhos que constitui uma exceção à ‘teoria do desejo’”.

Lacan (1964, p. 60) destaca que, apesar do sonho analisado por Freud confirmar a teoria do desejo –, pois o filho está vivo e o pai pode continuar dormindo –, este também aponta para a existência de algo além da fantasia e para o “pecado do pai”, que é não estar à altura de sua função de velar o filho morto:

O filho morto, pegando o pai pelo braço, visão atroz, designa um mais-além que se faz ouvir no sonho. O desejo aí se presentifica pela perda imajada ao ponto mais cruel, do objeto. É no sonho somente que se pode dar a esse encontro verdadeiramente único. Só um rito, um ato sempre repetido, pode comemorar esse encontro imemorável.


Por outro lado vale destacar que a definição do supereu – enquanto instância crítica que faz emergir o sentimento de culpa – permaneceu durante algum tempo pouco desenvolvida na obra freudiana. Somente no artigo “Sobre o narcisismo: uma introdução” Freud (1914) nomeia essa instância crítica como responsável pela observação e auto-censura do ideal do eu. Até então Freud considerava o supereu como uma instância repressora e reguladora das satisfações pulsionais, regulação esta operada pelos princípios do prazer e da realidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Considerações sobre a Letra e o Significante

Segundo Lacan, em O seminário, livro 20: mais, ainda (1972-73), a Letra é o suporte material do significante. O conceito de Letra  apresentado por Lacan no Seminário 20 não é o mesmo daquele descrito no texto A instância da Letra, em que ele não distinguia o conceito de letra do conceito de significante.

A partir do segundo ensino de Lacan, a letra passa a caracterizar o significante em sua materialidade, e possibilita, deste modo, a escrita, que vêm em suplência a não relação sexual, ou seja, a escrita - dos discursos e das fórmulas da sexuação - são tentativas de dar conta daquilo que não se inscreve, de algo que é da ordem do impossível, o real.

Em Lituraterra, texto de 1971 presente em Outros Escritos, Lacan marca a diferença entre letra e significante ao afirmar que a letra comporta a dimensão do lixo. Para tal utiliza o equívoco com que James Joyce deslizou de a letter para a litter. Lacan utiliza o termo lixo como equivalente ao resto. A letra é, portanto, o que contorna o furo, ou melhor, contorna o resto, que é esse algo do real que não se inscreve simbolicamente “A borda do furo no saber, não é isso que ela (letra) desenha? E como é que a psicanálise, se justamente o que a letra diz por sua boca ‘ao pé da letra’ não lhe conveio desconhecer, como poderia a psicanálise negar que ele existe, esse furo, posto que, para preenchê-lo, ela (letra) recorre a invocar nele o gozo?” (1071, p.18).

Por fim, Lacan se vale do conceito de Letra para formalizar o Discurso, em O seminário, livro 17: avesso da Psicanálise. A concepção de discurso surge, então, como um corte, um discurso sem palavras. O discurso é sem palavras porque são as letras, suporte material do significante, que operam nos discursos, ou seja, a escrita não é do mesmo registro que o significante, do mesmo campo da linguagem, ou da significação.

E a partir de uma estrutura discursiva Lacan localiza ali a relação do sujeito com o saber, com o objeto e com os significantes. Assinala também a existência de quatro discursos: o discurso do mestre, da histérica, da universidade e do analista, que são fundamentais para entendermos qual o lugar do sujeito nesses diferentes discursos e como a partir de uma inversão na relação do sujeito com o objeto surge um quinto discurso, o discurso do capitalista que passa a reger as novas formações sintomáticas.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A função da escrita na psicose


A partir de um caso de psicose paranóica apresentado por Freud, o caso Schreber, pretendo destacar que a escrita pode operar como um ponto de estabilização, ou mesmo como diria Lacan um ponto de amarração dos três registros: Real, Simbólico e Imaginário.

Nossa investigação sobre a função da escrita no caso Schreber coloca uma pergunta inicial acerca da função da escrita na psicose. Verificamos na clínica da psicose que estes escrevem como os neuróticos falam. Ou seja, enquanto na neurose o inconsciente, recalcado, emerge a partir dos tropeços na fala (lapso, ato falho), na psicose o inconsciente fica exposto, a céu aberto.

Lacan enfoca, especificamente, a relação do sujeito com a linguagem para estudar a psicose ao afirmar que “em torno dos fenômenos de linguagem mais ou menos alucinados, parasitários, estranhos, intuitivos, persecutórios de que se trata no caso Schreber, que vamos esclarecer uma dimensão nova na fenomenologia das psicoses” (Lacan, 1955-56, p. 120). Assim, ele centra sua investigação sobre a psicose no remetimento dos fenômenos (delirantes e alucinatórios) a uma estrutura de linguagem, que o conduz a afirmação que “o inconsciente é estruturado como uma linguagem”.

Desse modo, ele apresenta, em O seminário, livro 3: as psicoses, uma mudança do paradigma fenomenológico para o paradigma estrutural. Se em sua primeira tese sobre a paranóia intitulada Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade ele apresentou o estudo do caso Aimée influenciado por Jaspers e pela fenomenologia, a tese sobre a psicose que desenvolverá posteriormente, em seu primeiro ensino, foi influenciada por Clérambault e pelo estruturalismo. Ele retoma os fenômenos de automatismo mental descritos por Clérambault para aplicá-los à análise de Daniel Paul Schreber – cujas memórias serviram para que Freud (1911) analisasse a psicose paranóica. Situa os fenômenos manifestos na psicose de uma nova forma, não mais puramente descritiva, mas explicativa, além de assinalar a presença de uma quebra da cadeia discursiva na psicose.

O argumento de Lacan, neste momento de seu ensino, é que apesar dos fenômenos serem compreendidos na experiência analítica através do simbólico, do imaginário e do real, é pela via do simbólico que se realiza o diagnóstico diferencial neurose-psicose (Lacan, 1955-56, p. 18-20). Dessa forma, a investigação psicanalítica sobre o diagnóstico baseia-se na estrutura da linguagem, na relação do sujeito com o significante.

A psicose é caracterizada pela não-inscrição de um significante fundamental – o Nome-do-Pai. A foraclusão desse significante impede ao sujeito a entrada na ordem simbólica, e tem como efeito a produção de fenômenos elementares, como a alucinação, que consiste no retorno no real daquilo que foi foracluído na ordem simbólica (ibidem, p. 21).

Apesar do psicótico transitar no nível simbólico, ele não reconhece o significante Nome-do-Pai, foracluído da estrutura, por isso a função da mediação simbólica é substituída pela ploriferação imaginária. Assim, enquanto há psicóticos que vivem compensados pela identificação imaginária, outros remanejam o significante e criam uma metáfora, como se constata na construção delirante de Schreber de uma língua fundamental ou de A mulher de Deus, fazendo existir A mulher que não existe.

Lacan (1957-58, p. 584) localiza o desencadeamento da psicose no encontro com a falta do significante Nome-do-Pai, como é o caso de Schreber em que o encontro com Um pai – quando assume um lugar de presidência no tribunal – promove o surgimento dos fenômenos elementares. Outro efeito da perda da realidade na psicose – termo que Lacan (ibidem, p. 57) toma emprestado de Freud – é o não estabelecimento ou afrouxamento da relação entre o significado e o significante.

No entanto, a relação particular de cada psicótico com a linguagem cria a possibilidade de construção de uma nova realidade através do recurso ao delírio, que pode levar a uma estabilização. Tal foi o caso de Schreber que através da construção da metáfora delirante “sou mulher de Deus” (ibidem, p. 76) pode substituir a metáfora inoperante do Nome-do-Pai. Em outras palavras, ele pôde dar uma resposta, ou um tratamento, aos fenômenos elementares que o invadiam – como os raios, os nervos divinos, e vozes que falavam com ele. Em outras palavras, a construção da metáfora delirante representou uma suplência ao Nome-do-Pai foracluído.

O que nos leva a entender a Obra escrita de Schreber – Denkwürdigkeiten eines Nervenkranken [Memórias de um doente dos Nervos] – como uma forma de suplência, de sutura no ponto onde o Nome-do-Pai foi foracluído no simbólico. De modo que a escrita teve a função de estabilização e de enlaçamento social, o (re) ligando ao campo do Outro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre a Repetição

Anotações sobre a Noite Preparatória da AMP, na EBP/RJ dia 31/10/2011.

Serge Cottet
Psicanalista e Professor-Doutor do Département de Psychanalyse de Paris VIII

O conceito de repetição implica a ordem simbólica, o inconsciente, a cadeia significante.
Na concepção freudiana era descrita como a repetição do mesmo. Assim, no início de seus estudos preponderava a relação entre a repetição e o simbólico.
O analizante repete no lugar de recordar, segundo Freud assinala no texto "Recordar, repetir e elaborar" (1914). O sujeito repete porque recalca. Repete porque na análise se dá um tratamento aos sintomas.
Lacan inicialmente subescreveu essa visão imaginária da repetição, por exemplo através da análise do caso Dora, em que destacou a "matriz imaginária", a concepção imaginária da repetição, os automatismos de repetição.
A vida amorosa é o terreno privilegiado dessa repetição. O exemplo da "Gradiva de Jansen" ilustra como o sujeito não sabe qual é o objeto perdido que o parceiro vem substituir.
O motor da repetição é, dessa forma, o encontro, ou poderíamos dizer, o reencontro com o objeto perdido.
No seminário "De um Outro ao outro", Lacan diz que não se pode mais sustentar a repetição a partir do binário: cópia e similar ("matriz imaginária"). Assim, formula que há uma anulação do traumático (disso que retorna sempre no mesmo lugar, o real) pelo significante, como podemos observar na bricadeira da criança descrita por Freud nomeada como Fort-Da.
Desse modo, o que repete é o desegradável, algo além do princípio do prazer, e não a reparação do objeto perdido. O traumático insiste e é impossível de ser simbolizado.
Diante desse real, do traumático que insiste, e que observamos através dos novos sintomas no contemporâneo isso aumentado pela relação entre o sujeito e sua certeza de gozo, como no caso da toxicomania, surge a pergunta sobre a direção de tratamento dessas sintomatologia no contemporâneo. A resposta é de uma direção que vá além da interpretação freudiana e aponta para algo que é preciso "avisar" do perigo do real para os sujeitos

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A verdade é irmã do gozo.

"A vida e a verdade formam um casal inédito, que não tem o hábito de passear de mãos dadas pelos jardins do Campo Freudiano... E é precisamente porque a verdade fala que não sabemos o que ela quer... A vida, ao contrário, não fala. É talvez por esta razão que sabemos o que ela quer. Ela quer se transmitir, durar, jamais acabar. Os corpos vivos morrem. A vida, ela não morre". Miller, J-A. Opção Lacaniana, nº41.

Sobre o conceito de verdade, Lacan o desenvolve em seu ensino a partir da teoria dos discursos. Ele introduz o conceito de estrutura pela via do discurso. Desde seu encontro com a linguagem o sujeito já é marcado por uma perda de gozo. No intervalo entre os significantes - S1 e S2 - emerge o sujeito como tal, o sujeito barrado, o sujeito do inconsciente, marcado tanto por uma perda como pela possibilidade, acesso, a uma parcela de gozo.
A verdade aparece aí como irmã do gozo, tal como assinala Lacan em O seminário, livro 17: o avesso da psicanálise. A verdade revela algo do inconsciente e também uma satisfação, gozo, própria das formações sintomáticas. Assim, trazer a verdade a tona, através da experiência analítica, é abrir para a possibilidade de tratamento do gozo, sempre considerando a resistência, a transferência a a repetição características do funcionamento psíquico.