sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pontuações sobre o texto de Freud (1905) “Os chistes e sua relação com o inconsciente”



Como podemos entender a dimensão do prazer presente nos chistes?

Para respondermos essa pergunta iremos nos apoiar no texto de Freud (1905) “Os chistes e sua relação com o inconsciente”, especificamente sobre o capítulo IV que trata do mecanismo do prazer e a psicogênese dos chistes, e em O seminário, livro 5: as formações do inconsciente, de Lacan (1957-58), onde recorremos ao capítulo V a fim de abordar a questão do pouco de sentido e do passo-de-sentido.
No primeiro texto, Freud investiga os efeitos de prazer provocados pelos chistes. Ele diz que os chistes promovem uma suspensão da inibição, ou seja, do recalque. Para tal, cita o exemplo de um chiste de Herr N. no qual um indivíduo ao contar de sua viagem para um amigo diz: “Viajei com ele Tetê-a-bête”. Por meio de tal formação do inconsciente ele revela que viajou com um indivíduo e que este era uma besta.
Freud (1905, p.116) afirma que o mecanismo dos chistes consiste na remoção de um obstáculo interno que tem como efeito o prazer, enquanto que em relação ao obstáculo externo evita-se o aparecimento de uma nova inibição. Segundo ele, para se manter ou erigir uma inibição psíquica tem-se uma despesa psíquica, de modo que a “produção de prazer corresponde à despesa psíquica que é economizada” (ibidem).
Freud também destaca o prazer presente no nonsense, elemento presente no que ele define como outra técnica de chistes que compreende o absurdo. Segundo ele podemos observar a presença do nonsense no comportamento da criança na aprendizagem da língua, em que sua brincadeira com as palavras consiste em sua reunião sem respeito às regras de que façam um sentido, visando somente obter efeito gratificante de ritmo ou rima.
Lacan (1957-58, p. 88), retomando o texto de Freud, localiza na brincadeira infantil a origem primitiva do prazer, na medida em que ali as palavras remetem à aquisição da linguagem como puro significante. Da mesma forma encontramos nos chistes esse caráter primitivo do significante em relação ao sentido, ou seja, “o toque de arbitrariedade que ele traz para o sentido” (ibidem, p. 89).
Se Freud assinala que além do jogo de palavras o prazer em um chiste deriva da liberação do nonsense, Lacan propõe um acréscimo ao afirmar que o chiste causa impacto primeiro pelo nonsense e depois pelo aparecimento de algum sentido secreto. Ou seja, a entrada do nonsense é a entrada do objeto, do real.
Os chistes são formas do aparelho psíquico tentar gozar através da suspensão da inibição, do levantamento do recalque, que promove a surpresa e o riso. O mesmo trabalho psíquico que suspende a inibição é o que provoca o riso.
Freud (1905, p. 129) já chamava atenção aos efeitos dos chistes sobre aquele que escuta – o Outro –, ao assinalar: “Devíamos tentar estudar o fenômeno psíquico dos chistes com referência a sua distribuição entre duas pessoas. Faremos uma sugestão provisória de que o processo psíquico provocado pelo chiste no ouvinte reproduz em muitos casos aquele que ocorre em seu criador”.
Contudo, é Lacan que destaca que o prazer no chiste está na ratificação da mensagem pelo Outro. A mensagem provoca o riso quando aponta para-além da mensagem, ou seja, para a insatisfação. Lacan localiza o chiste no circuito entre a mensagem e o Outro, justamente onde está o circuito rotativo do inconsciente. Ele se vale do conceito de demanda para assinalar como esta se forma a partir do Outro, e para afirmar, ainda, que no circuito Outro-mensagem é que a demanda se consuma como mensagem.
Assim, o chiste só se completa quando o Outro acusa seu recebimento, responde a ele e o autentica como tal, percebendo um sentido mais-além. Desse modo, quando o sujeito comunica ao Outro um chiste percorre-se a dimensão metonímica do pouco-sentido, que ao ser acolhido permite que o Outro o transforme em passo-de-sentido e que o “prazer se consuma para o sujeito” (Lacan, 1957-58, p. 104).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREUD, S. (1905) “Os chistes e sua relação com o inconsciente”. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, vol. VIII, 1996.
LACAN, J. (1957-58) O seminário, livro 5: as formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sobre a transferência

Freud (1912), no texto "A dinâmica da transferência", pontua que a transferência ocorre não só no tratamento psicanalítico, mas também em instituições, e por isso é importante considerá-la no tratamento dos pacientes, na medida em que as características da transferência não devem ser atribuídas a psicanálise, mas a própria neurose. O paciente transfere para a figura do médico/analista/profissionais de saúde mental conteúdos inconscientes que dizer de sua relação com o pai, com a mãe. Há tanto a transferência “positiva”, de sentimentos afetuosos, e a “negativa”, de sentimentos hostis, que trabalham como resistência ao progresso da terapia. 
Nesse texto um ponto nos chama a atenção, Freud destaca a transferência como fundamental no tratamento psicanalítico de pacientes neurótico, e destaca que “Onde a capacidade de transferência tornou-se essencialmente limitada a uma transferência negativa, como é o caso dos paranóicos, deixa de haver qualquer possibilidade de influência ou cura” (Freud, 1912, p.118).
Então os psicóticos não podem ser tratados pela psicanálise? 
Bem, podemos dizer que Freud não pôde avançar muito em relação ao tratamento de psicóticos, ainda que explorou a descrição da psicose e seus mecanismo em textos muito importantes em seu ensino, ao marcar a formação da neurose a partir do recalque, e da psicose a partir da foraclusão (termo utilizado por Lacan em sua releitura freudiana). Contudo, é Lacan quem inaugura o campo do tratamento psicanalítico das psicoses a partir de seu estudo inaugural sobre a paranóia no caso de Aimèe. E a partir daí os psicanalistas tomam como referência para o tratamento de psicóticos o ensinamento de Lacan de não recuar diante da clínica da psicose.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Considerações sobre “o mito individual do neurótico”

Em “o mito individual do neurótico”, Lacan (1953, p.14) ressalta a importância de se introduzir no mito freudiano algumas modificações estruturais necessárias para a compreensão das vivências relatadas pelos sujeitos neuróticos em análise. Nesse texto, ele assinala que o complexo de Édipo se baseia no conflito fundamental amor-ódio em relação ao pai, mas destaca que a experiência se estende entre a imagem degradada do pai e a relação simbólica com o mesmo.
Para elucidar a estrutura da neurose obsessiva, marcada pela tensão agressiva e fixação pulsional, Lacan se utiliza de um caso clínico analisado por Freud, o Homem dos Ratos. Nesse caso, podemos observar tanto a impossibilidade do simbólico em recobrir a pulsão de morte, já que a inscrição do significante Nome-do-Pai na estrutura não encobre a agressividade, como a presença de um pai degradado, humilhado.
O autor analisa um esquema fantasmático que se repete sintomaticamente na história de vida do paciente e o nomeia como mito individual do neurótico. Os sujeitos neuróticos retomam, em suas relações, a estrutura básica que advém da constelação familiar, ou seja, das “relações familiares fundamentais que estruturam a união de seus pais” (Lacan, 1953, p.19). 
Lacan (1953, p.21-24) apresenta como elementos do mito familiar do Homem dos Ratos certa desvalorização do pai, que faz um casamento vantajoso com a mãe, e uma dívida que tem com um amigo que ao lhe emprestar uma soma de dinheiro passa a ser seu salvador. O que se repete sintomaticamente, então, é o conflito mulher rica / mulher pobre, que marca o desencadeamento de sua neurose quando o pai o pressiona a se casar com uma mulher rica, e a questão da dívida do pai com o amigo, retomada quando o sujeito se vê na situação de ter que reembolsar uma soma em dinheiro pelo envio de um par de óculos que havia perdido, que ele toma para si como um dever neurótico.
Lacan utiliza esse caso como um exemplo para apontar uma mudança na própria estrutura do complexo de Édipo, diferente do esquema triangular criança-mãe-pai, onde o pai tem a função de interditar o desejo incestuoso pela mãe. Essa crítica ao esquema tradicional do Édipo se faz a partir da introdução de um quarto elemento, de modo que um sistema quaternário passa a substituir a tríade clássica. Para que se possa compreender do que se trata na estrutura quaternária, Lacan destaca a função simbólica do pai, em que a função exercida pelo Nome-do-Pai de promover o recobrimento do real pelo simbólico é sempre incompleta “o pai é sempre, por algum lado, um pai discordante com relação à sua função, um pai carente, um pai humilhado” (Lacan, 1953, p.40).
 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O pré-estruturalismo e a primeira teoria do desenvolvimento de Jacques Lacan


Como apontado por Miller (2005) no texto "Leitura crítica dos “Complexos familiares”, de Jacques Lacan", encontramos no texto de Lacan (1938) “Os complexos familiares na formação do indivíduo” uma primeira teoria do desenvolvimento, em que ele apresenta os três tempos na forma de complexos e define a formação psíquica dos indivíduos a partir dos complexos familiares. Apesar de distinguir nesse texto o eu (moi) do sujeito, Lacan ainda não se vale das ferramentas propostas pelo estruturalismo de Jakobson e Lévi-Strauss. Desse modo, Miller (2005, p.9) defende que encontramos nesse texto um Lacan pré-estruturalista, na medida em que lhe falta a precisão do simbólico, da estrutura e da noção de significante, que aparecem em seu texto sob a forma da cultura, do complexo e da imago, respectivamente.

Segundo Lacan (1938), as instituições familiares têm papel primordial na transmissão da cultura, das leis e na formação psíquica dos sujeitos. Ele define a família a partir dos complexos, que corresponde a um agregado de percepções, sentimentos e sensações; sendo que o complexo é dominado por fatores culturais e reproduz uma certa realidade do ambiente: “os complexos demonstraram desempenhar um papel de “organizadores” no desenvolvimento psíquico” (Lacan, 1938, p.35).

Lacan apresenta três complexos: do desmame, da intrusão, e o complexo de Édipo.

1. O complexo do desmame apesar de ser o mais primitivo do desenvolvimento psíquico é regulado culturalmente, ou seja, não é uma regulação natural. Ele deixa uma marca na relação biológica que interrompe, a amamentação, e pode, ou não, causar um trauma psíquico, como nos casos das anorexias nervosas, toxicomanias pela boca e neuroses gástricas, em que os sujeitos repetem indefinidamente o esforço de se separar da mãe. O complexo é definido em oposição ao instinto, pois este tem um suporte orgânico, enquanto que o complexo só tem uma relação orgânica quando “supre uma insuficiência vital pela regulação de uma função social” (Lacan, 1938, p.40). É o que ocorre no caso do complexo do desmame, onde a sublimação da imago materna se torna particularmente difícil. Miller (2005) aponta que podemos encontrar nesse texto, a partir da diferenciação que Lacan faz entre complexo e instinto, o conceito de apoio. O complexo tem um fundamento biológico, mas ele se apóia no instinto. A noção de apoio é a base para a compreensão do conceito de pulsão, trabalhado posteriormente no ensino de Lacan como um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise, situado na fronteira entre o mental e o somático. A pulsão se apóia no instinto para dele se desviar, na medida em que se desvia de seu objetivo natural, que seria o da autoconservação.

2. O complexo da intrusão consiste no reconhecimento do sujeito entre irmãos. Ou seja, se segue ao declínio do desmame o estádio do espelho, em que o sujeito passa a fazer uma diferenciação entre o eu e o outro, seu semelhante. Utiliza-se o exemplo do ciúme para ilustrar a intrusão, no caso do ciúme do irmão mais velho em relação ao irmão caçula, “seja como for, é através do semelhante que o objeto, assim como o eu, se realiza: quanto mais pode assimilar de seu parceiro, mais o sujeito reforça sua personalidade e sua objetividade” (Lacan, 1938, p.51). Miller (2005, p.13) assinala que se trata, na relação entre o eu e o semelhante, descritas no complexo de intrusão, da relação imaginária, que tem na competição com o rival e no acordo com o igual o próprio motor da sociedade humana.

3. O complexo de Édipo, Lacan apresenta uma revisão deste a fim de relacioná-lo à família patriarcal e a neurose contemporânea. Em relação ao desejo edipiano do menino em relação à mãe, o pai opera enquanto agente da interdição sexual. A conclusão da crise edipiana ocorre com a internalização da lei através do supereu e a sublimação da imagem parental, a identificação ao pai, através da formação do ideal do eu: “a imensa coleta de dados que o complexo de Édipo tem permitido objetivar (...) pode esclarecer a estrutura psicológica da família” (Lacan, 1938, p.55). Ou seja, a concentração na imago paterna da função de repressão e de sublimação caracteriza a família patriarcal.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A relação sexual não existe!

 http://www.isepol.com/asephallus/numero_12/imagens/quadro.jpg


Escutamos muito no campo freudiano essa afirmação que Lacan faz acerca da relação sexual : "Não há relação sexual".
E o que significa dizer que a relação sexual não existe?
Para que possamos entender o que Lacan quis dizer com isso é importante localizarmos em que momento de seu ensino se dá essa afirmação. 
Lacan apresenta as fórmulas da sexuação nos anos setenta. Podemos encontrar em seu seminário Mais ainda a escrita dessas fórmulas. Segundo ele há uma lógica dissimétrica entre as posições do homem e da mulher. A relação entre o homem e a mulher não é harmoniosa em função da barreira contra o incesto que faz com que o objeto original desejado, a mãe, não corresponda ao objeto final da pulsão. Desse modo, a satisfação pulsional é sempre parcial e os objetos substitutivos nunca são plenamente satisfatórios. Assim, não há uma complementaridade entre o homem e a mulher, de modo que a relação sexual não existe.
(Maleval.La forclusión del Nombre del Padre. Buenos Aires: Paidós, 2002)

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Divulgando evento: XI Simpósio do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ

XI Simpósio do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ
23, 24 e 25 de novembro de 2015

Link:http://www.cepuerj.uerj.br/app_upload/COVOCATORIA-%20TRABALHOS-%20PROGRAMA%C3%87%C3%83O.pdf

Há cem anos, em 1915, após um período de perseverante solidão diante da hostilidade com que a psicanálise havia sido recebida pela comunidade científica de sua época, Freud formula, com mais confiança, otimismo e de forma iluminada, os conceitos fundamentais de sua teoria nos textos intitulados: Artigos de Metapsicologia. 
Com eles a psicanálise debuta, estruturada por alguns conceitos fundamentais, no cenário do século XX para se tornar um dos bastiões de sua vanguarda: a revolução da razão, a reconsideração do lugar da linguagem, a renovação que faltava à clínica psicológica, o esteio sobre o qual o campo psi pôde se assentar, a queridinha da arte moderna, o arauto da liberação sexual e com isso dos movimentos feministas entre outros relativos à sexualidade, à parentalidade, à constituição familiar, ao questionamento político da formação dos grupos, à transitoriedade, etc. A lista de mudanças trazidas na esteira de sua teorização é imensa. 
E tudo, para fazer jus à leitura lacaniana, se assenta, como cabe a uma estrutura, sobre conceitos que jamais deixaram de comparecer na evolução da teoria. A princípio três: inconsciente, pulsão, recalque, cujas articulações se desdobram em outros como desejo, objeto, transferência, repetição, sintoma, sujeito, eu, Outro, identificação, que, por sua vez, remetem a temas capitais como interpretação, resistência, demanda, (in)satisfação, gozo, amor, ódio, e outra vez desejo, dessa vez desejo de analista: na prática, na teoria, na transmissão. 
O edifício é grande, os alicerces, ainda que continuamente contestados, pois a psicanálise é sempre causa de debate, continuam firmes a sustentar uma prática clínica enriquecida por tantos psicanalistas de relevo e, em especial, renovada por Lacan para fazer frente a mais um século. 
Lacan a reinventa e demonstra que ela pode se reinventar continuamente pois opera, como teoria, da mesma forma que os conceitos objeto de sua teorização. A psicanálise tem pulsão, circula, sofre recalques, tentativas de foraclusão, transmite-se apesar disso, interpreta-se, constrói saber a partir de um não sabido, transfere libido, contagia com desejo, produz objetos novos. 
Não por acaso, Lacan propõe seu ensino sob a égide do retorno a Freud pela razão mesma da psicanálise pós-freudiana ter chegado, em seu juízo, a um impasse mental e prático quanto ao legado daquele que fundara seu campo. Neste sentido, ele entende que sua proposta equivale à submissão da psicanálise ao esquema operacional que ela própria ensinou, figurando o problema da neurose em um segundo grau. A resistência dos próprios psicanalistas à experiência que os conceitos freudianos se punham a transmitir expressou-se, por exemplo, nas derivas psicológicas criticadas por Lacan (do eu autônomo, do objeto genital etc.), que desalojavam de bom grado o prefixo meta forjado por Freud. 
O Programa de Pós-Graduação em Psicanálise da UERJ não deixará passar este centenário sem fazer, através de mais um simpósio, uma homenagem ao fecundo trabalho de Freud em 1915. Dessa forma, convidamos e convocamos docentes e alunos de pósgraduação cujas pesquisas possam articular-se a esse tema a colaborar com suas presenças, trabalhos e debates para o evento Cem anos de Metapsicologia: os conceitos fundamentais, a se realizar em 23, 24 e 25 de novembro na UERJ.   

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre a regulamentação da psicanálise

No último Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, promovido pela EBP, que ocorrou em BH, tivemos uma discussão muito produtiva acerca da regulamentação da psicanálise no Brasil.
Desde 2000 vem sendo travadas discussões no congresso, principalmente a partir de deputados vinculados a organizações religiosas, a fim de regulamentar a psicanálise no Brasil, tentando inclusive implementar projetos de lei. Com isso, diferentes instituições psicanalíticas começaram a se reunir para lutar contra a regulamentação da psicanálise.
Esse posicionamento advém de vários fatores, dentre outros motivos pode-se apresentar a manutenção da distância entre a psicanálise e o Estado, a não submissão da formação do analista à quantificação e a avaliação, e a compreensão de que uma psicanalista "só se autoriza de si mesmo", proposição essa que Lacan assinala na sessão de 9 de abril de 1974, definindo ali que um analista se autoriza a si mesmo como tal a partir de um tripé que sustenta sua formação: a análise pessoal, a supervisão e o estudo teórico.

Para melhor aprofundar sobre essa discussão recomendo a leitura do texto: http://ebp.org.br/wp-content/themes/ebp/img/contra_regulamentacao_psicanalise.pdf