domingo, 6 de maio de 2012

É possível amar ao próximo como a si mesmo?

A posição do saber no discuso do analista é diferente do discurso da universidade.
Lacan defende que o nascimento do sujeito, dividido, que não se contenta com um menos saber, requer que o analista seja paciente frente aos rodeios do analizante. Em relação ao saber do analista não se trata da erudição, pois esse, segundo Lacan, é um saber inconsistente. O inconsciente é nosso único lote de saber. Ao analista somente se supõe um saber
Para Lacan a psicanálise desvela o que a filosofia recobre: a verdade sobre o sexo. Só podemos fazer borda a inexistência da relação sexual, da complementariedade entre os sexos. 
Se Lacan defende que não há relação sexual, Freud já denunciava algo na relação entre os sujeitos que não era complementar, e mesmo o laço social como o que há de mais difícil para os sujeitos. "Amar ao próximo como a si mesmo" seria, então, um mandamento impossível de se cumprir. A metáfora do porco-espinho, apresentada por Freud em "Psicologia dos Grupos e análise do eu" (1921), fala dessa distância íntima que mantemos em relação aos outros: os porcos-espinhos durante o inverno precisavam se juntar para ficarem aquecidos, contudo, como tinham espinhos precisavam manter uma distância necessária entre si para que não se ferissem. É essa distância íntima, que permite a constituição do próximo e a manutenção do sujeito do desejo.

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